Taquipsiquismo

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July 2012

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Jul 12, 2012

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May 3, 2012

March 2012

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Sobre a culpa na ignorância

“E ele dizia consigo mesmo que a questão fundamental não era: sabiam ou não sabiam? Mas: alguém é inocente apenas por não saber? Um imbecil sentado no trono estaria isento de toda responsabilidade pelo simples fato de ser imbecil?

Vamos admitir que o procurador tcheco que no começo dos anos 50 pedia a pena de morte para um inocente tivesse sido enganado pela polícia secreta russa e pelo governo de seu país. Mas agora que sabemos que as acusações eram absurdas e os condenados inocentes, como podemos admitir que o mesmo procurador defenda sua pureza de alma batendo no peito: minha consciência está limpa, eu não sabia, eu acreditava! Não é precisamente no seu ‘Eu não sabia! Eu acreditava!’ que reside sua falta irreparável?

Nesse ponto, Tomas se lembrou da história de Édipo: Édipo não sabia que dormia com a própria mãe e, no entanto, quando compreendeu o que tinha acontecido, não se sentiu inocente. Não pôde suportar a visão da infelicidade provocada por sua ignorância, furou os olhos e, cego, deixou Tebas. 

Tomas ouvia o uivo dos comunistas, que defendiam sua pureza de alma, e dizia consigo mesmo: Por causa da ignorância de vocês, o país talvez tenha perdido séculos de liberdade e vocês gritam que se sentem inocentes? Como ainda podem olhar em torno? Como não estão apavorados? Talvez não tenham olhos para ver! Se tivessem, deveriam furá-los e deixar Tebas!”

Tomas, personagem de A Insustentável Leveza do Ser. Kundera, Milan.

Mar 12, 2012

February 2012

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Feb 20, 2012

July 2011

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Politicamente correto ou "apenas" respeito?

“Tenho-me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las.” Spinoza

Eu era assim: podia discursar horas contra homofobia, mas não perdia a oportunidade de fazer uma piadinha sem graça. E tinha essa crença de que o politicamente correto é chatice. Até me dar conta de que quando fazemos uma piadinha homofóbica, de uma forma ou de outra, estamos colocando defeito em quem não é hétero. E isso é preconceito.

Quem é da minha geração ou de gerações anteriores consegue perceber, se quiser olhar com cuidado, que hoje uma piada racista é inconcebível, mas que já foi tão socialmente aceitável quanto as atuais e diárias sem-gracices homofóbicas. 

Senso de humor é fundamental, sim. Mas, para mim, temos inteligência suficiente para buscarmos o riso onde ele realmente deve existir. Muitas vezes, nas coisas mais simples, muitas vezes para nos rirmos (quando ficamos nervosos e agressivos). Isso é bom humor, isso é senso de humor.

Na minha opinião, essa etiqueta do “politicamente correto” se presta a tapar outras coisas, não chatice. Legitima falta de respeito. 

Existe o exagero da reação, sim, a intolerância absoluta com a ignorância alheia e com o processo de conscientização. E isso é chato mesmo. Existe formalismo demais, que é chato também, mas essas coisas não podem ser confundidas com o direito que as pessoas se dão de respeitar o outro e de perceber que até seus próprios discursos estão permeados pelo preconceito, pela maldade, pela ausência da ética. 

Ainda faço sem-gracices, às vezes exagero no discurso oposto, mas quero pensar sempre e rever sempre. É direito meu. Chatice é outra coisa. Politicamente correto é ok.

Jul 23, 20116 notes
#politicamente correto #homofobia #racismo #sexismo #respeito #diferenças

June 2011

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Jun 15, 20114 notes
Jun 15, 20113 notes
A Tribo com os Olhos para o Céu - Italo Calvino

“As noites são belas e o céu de verão é cruzado pelos mísseis. 

Nossa tribo vive em cabanas de palha e barro. De noite, ao voltarmos da colheita de cocos, exaustos, sentamos na soleira, uns sobre os calcanhares, outros sobre uma esteira, tendo ao redor as crianças de buchos redondos como bolas, brincando no chão, e contemplamos o céu. Há muito tempo, talvez desde sempre, os olhos de nossa tribo, esses nossos pobres olhos inflamados pelo tracoma, estão apontados para o céu: mas especialmente desde que, pela abóbada estrelada acima de nossa aldeia, passam novos corpos celestes: aviões a jato com um rastro esbranquiçado, discos voadores, foguetes, e agora esses mísseis atômicos telecomandados, tão altos e velozes que nem os ouvimos ou vemos, mas, prestando muita atenção, podemos perceber no brilho do Cruzeiro do Sul algo como um arrepio, um soluço, e então os mais entendidos dizem: ‘Olhe lá um míssil passando a vinte mil quilômetros por hora; um pouco mais lento, se não me engano, do que o que passou na quinta-feira’.

Ora, desde que esse míssil está no ar, muitos de nós foram tomados por uma estranha euforia. Na verdade, alguns bruxos da aldeia deram a entender, em meias palavras, que esse bólido que brotou do lado de lá do Kilimanjaro é o anunciado sinal da Grande Profecia, e por isso a hora prometida dos Deuses está se aproximando, e depois de séculos de servidão e miséria nossa tribo reinará em todo o vale do Grande Rio, e a savana inculta dará sorgo e milho. Portanto — esses bruxos parecem subentender — não fiquemos matutando sobre novos meios para sairmos de nossa situação; confiemos na Grande Profecia, unamo-nos em torno dos seus únicos e justos intérpretes, sem pedir mais nada. 

Diga-se que, mesmo sendo uma pobre tribo de apanhadores de cocos, estamos bem informados sobre tudo o que acontece: um míssil atômico, sabemos o que é, como funciona, quanto custa; sabemos que não serão apenas as cidades do sahibs brancos que serão ceifadas como campos de sorgo, mas que basta que eles comecem a disparar de verdade e toda a crosta da Terra ficará rachada e esponjosa como um cupinzeiro. Que o míssil seja uma arma diabólica, nunca ninguém esquece, nem aqueles bruxos; ao contrário, continuam, segundo o ensinamento dos Deuses, a lançar maldições contra ele. Mas isso não impede que também se possa considerá-lo, comodamente, de um ângulo positivo, tal como o bólido da profecia; talvez sem nos determos demais nesse pensamento, mas deixando no cérebro um respiradouro aberto a essa possibilidade, mesmo porque é daí que saem todas as outras preocupações. 

O problema é que — já o vimos diversas vezes — algum tempo depois que no céu da nossa aldeia apareceu uma diabrura qualquer vinda do lado de lá do Kilimanjaro, como diz a profecia, eis que apareceu uma outra do lado oposto, ainda pior, e fugiu para longe, e foi desaparecer mais para lá da crista do Kilimanjaro: sinal infausto, portanto, e as esperanças de aproximação da Grande Hora se desfazem. Assim, com sentimentos dúbios, escrutamos o céu cada vez mais armado e mortal, como outrora líamos o destino no curso sereno dos astros e cometas errantes.

Na nossa tribo agora só se discutem os foguetes teleguiados, e ao mesmo tempo continuamos a andar armados de machados grosseiros e lanças e zarabatanas. Por que preocuparmo-nos com isso? Somos a última aldeia nas marges da selva. Aqui, entre nós, jamais as coisas mudarão até que soe a Grande Hora dos profetas. 

E no entanto aqui também não estamos mais na época que, de vez em quando, chegava de piroga um comerciante branco para comprar cocos, e às vezes nos tapeava no preço — às vezes nós que o passávamos para trás; agora existe a Cocobelo Corporation, que compra toda a colheita, em bloco, e impõe os preços, e somos obrigados a apanhar cocos num ritmo acelerado, com equipes que se revezam dia e noite, para alcançarmos a produção prevista no contrato. 

Apesar disso, há entre nós quem diga que os tempos prometidos pela Grande Profecia estão mais próximos do que nunca e não por causa dos presságios celestes, mas porque os milagres anunciados pelos Deuses agora são problemas técnicos que só nós poderemos resolver, e não a Cocobelo Corporation. Pois é: como se fosse pouco! Enquanto isso, o negócio é ir tocando a Cocobelo Corporation! Seus agentes, nos escritórios das docas à beira do Grande Rio, com as pernas em cima da mesa e o copo de uísque na mão, parecem só ter medo de que esse novo míssil seja maior que o outro — em suma, também não falam de outra coisa. Há nisso uma coincidência entre o que eles dizem e o que dizem os bruxos: é na potência dos bólidos celestes que reside todo o nosso destino!

Eu também, sentado na estrada da cabana, olho as estrelas e os foguetes aparecerem e desaparecerem, penso nas explosões que envenenam os peixes no mar e nas reverências que trocam, entre duas explosões, aqueles que as decidem. Gostaria de entender mais: é verdade que as vontades dos Deuses se manifestam nesses sinais, e aí estão também encerradas a ruína e a fortuna de nossa tribo… Mas tenho uma ideia na cabeça que ninguém me tira: que uma tribo que se confia apenas à vontade dos bólidos celestes, no melhor dos casos, continuará sempre a vender os seus cocos abaixo do preço.”

(Tradução: Rosa Freire d’Aguiar)

Jun 13, 2011
#Italo Calvino #metáfora do mundo moderno

May 2011

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May 6, 20111 note
#fotografia #Anka Zhuravleva

Não sou a fim de fazer disto um diário. Não sei bem ao certo do que sou a fim de fazer deste maltratado tumblr. Mas, hoje me permitirei falar da minha vida. Falar de mim, o que pode ser também falar de você. 

Há alguns anos, detectei que sofria de depressão. Foi pesado. Bem pesado. Mas isso me mostrou tanto a respeito das pessoas à minha volta e, sobretudo, a respeito de mim mesma, que hoje eu só posso ter uma atitude positiva em relação àquilo que me impulsionou ao autoconhecimento. 

Foi ruim. Mas tive pessoas especiais que estiveram comigo. Sofreram comigo. Lembro-me de que, para sair do primeiro e mais escuro buraco de todos, minha irmã e meu cunhado, além da minha família e amigos, foram essenciais. Como cuidado médico e terapêutico.

O lance é que uma coisa me marcou quando eu estava me levantando pela primeira vez: resolvi atender ao convite de uma grande (grande mesmo) amiga para irmos ver a Leandra Leal numa peça bastante bacana na CPFL Cultura. Isso tem alguns anos. Uns sete, oito, talvez. Permitir-me sair de casa pela primeira vez para buscar coisas que me interessam foi importante pro que veio depois. Veio muita coisa. Outros buracos, alguns tão escuros quanto, menos profundos; ou profundos e não tão escuros. 

A vida vem me mostrando, sem querer bancar a chata da autoajuda, que o autoconhecimento é um caminho que leva a lugares inesperados. Houve, nesse meio tempo, coragem (que é agir apesar do medo e não uma qualidade a priori) pra fazer coisas importantes, que mudaram muito o rumo das coisas. O meu rumo.

E hoje, voltando à CPFL Cultura, com essa mesma grande (grande mesmo) amiga, pra ver um filme com a mesma Leandra Leal, sobre temas também autorreflexivos, senti o momento como o fim de um ciclo — do tipo oriental, não linear. Senti. E isso me fez sorrir e ser grata. 

Talvez amanhã eu me arrependa da exposição. Hoje o post fica. 

May 1, 20118 notes
#Liane #ciclos #depressão #autoconhecimento #Leandra Leal #CPFL Cultura

February 2011

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"O diabo mora na tipografia" - Roberto Gomes → criaredicoes.com.br

Feb 18, 2011
#revisão

November 2010

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Nov 24, 2010150 notes
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Nov 6, 20103 notes
#Despicable Me #Meu Malvado Favorito #Agnes

October 2010

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“Porque a minha medida sempre foi o exagero.” —
Oct 11, 2010
Oct 1, 2010

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“Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram sê-lo, obscuramente, alguns, outros mais claramente, cada qual como pode.” —Hermann Hesse, em Demian
Sep 28, 2010
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#Saramago e Pilar

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