Não sou a fim de fazer disto um diário. Não sei bem ao certo do que sou a fim de fazer deste maltratado tumblr. Mas, hoje me permitirei falar da minha vida. Falar de mim, o que pode ser também falar de você.
Há alguns anos, detectei que sofria de depressão. Foi pesado. Bem pesado. Mas isso me mostrou tanto a respeito das pessoas à minha volta e, sobretudo, a respeito de mim mesma, que hoje eu só posso ter uma atitude positiva em relação àquilo que me impulsionou ao autoconhecimento.
Foi ruim. Mas tive pessoas especiais que estiveram comigo. Sofreram comigo. Lembro-me de que, para sair do primeiro e mais escuro buraco de todos, minha irmã e meu cunhado, além da minha família e amigos, foram essenciais. Como cuidado médico e terapêutico.
O lance é que uma coisa me marcou quando eu estava me levantando pela primeira vez: resolvi atender ao convite de uma grande (grande mesmo) amiga para irmos ver a Leandra Leal numa peça bastante bacana na CPFL Cultura. Isso tem alguns anos. Uns sete, oito, talvez. Permitir-me sair de casa pela primeira vez para buscar coisas que me interessam foi importante pro que veio depois. Veio muita coisa. Outros buracos, alguns tão escuros quanto, menos profundos; ou profundos e não tão escuros.
A vida vem me mostrando, sem querer bancar a chata da autoajuda, que o autoconhecimento é um caminho que leva a lugares inesperados. Houve, nesse meio tempo, coragem (que é agir apesar do medo e não uma qualidade a priori) pra fazer coisas importantes, que mudaram muito o rumo das coisas. O meu rumo.
E hoje, voltando à CPFL Cultura, com essa mesma grande (grande mesmo) amiga, pra ver um filme com a mesma Leandra Leal, sobre temas também autorreflexivos, senti o momento como o fim de um ciclo — do tipo oriental, não linear. Senti. E isso me fez sorrir e ser grata.
Talvez amanhã eu me arrependa da exposição. Hoje o post fica.